Do berço ao divã: como Freud explicou a nossa sexualidade?
- Prof. Paulo Psicanalista Didata

- 19 de mai.
- 3 min de leitura
Se tem um nome que divide opiniões, esse nome é Sigmund Freud. Amado por uns, criticado por outros, o pai da psicanálise foi pioneiro ao propor algo que, no século XIX, era considerado quase um escândalo quando defende a hipótese que:
A sexualidade começa na infância.
Mais um post que vamos mergulhar nas teorias da sexualidade de Freud, sem tabu, sem julgamento, e com aquele olhar curioso que todo bom blog merece.
O que é libido afinal? (Não é só o que você está pensando)
Para Freud, a libido não é apenas "vontade de transar". É uma energia psíquica vital, presente desde o nascimento, que nos move em busca de prazer, satisfação e conexão com o mundo. Ele chamava essa força de Eros (instinto de vida), que se contrapõe ao instinto de morte (Thanatos), mas isso é papo para outro post.
Ou seja: a libido está ali, pulsando, desde o primeiro choro do bebê.
Então, um bebê também sente prazer? Sim, segundo Freud
A ideia mais revolucionária (e polêmica) de Freud é a sexualidade infantil. Para ele, o prazer não é uma "prática" que começa da puberdade. Ele aparece desde os primeiros meses, por meio de zonas específicas do corpo chamadas zonas erógenas.
E é aí que entram as famosas fases do desenvolvimento psicossexual. Escritas no Volume VII.
As 5 fases que moldam a nossa personalidade (de acordo com Freud)
1. Fase oral (0 a 12 meses)
Zona de prazer: boca
O que acontece: sugar, morder, levar tudo à boca
Conflito principal: o desmame
Fixação na vida adulta: pode virar hábitos como roer unhas, fumar, comer demais ou até traços como dependência ou pessimismo.
2. Fase anal (12 meses a 3 anos)
Zona de prazer: esfíncteres (região anal)
O que acontece: controle do xixi e cocô, o famoso "treinamento esfincteriano"
Conflito principal: obedecer ou resistir aos pais (as regras impostas)
Fixações:
Personalidade anal-retentiva: muito organizada, teimosa, controladora
Personalidade anal-expulsiva: bagunceira, rebelde, impulsiva
3. Fase fálica (3 a 6 anos)
Zona de prazer: órgãos genitais
O que acontece: a criança começa a descobrir as diferenças entre os sexos
Conflitos centrais:
Complexo de Édipo (meninos): atração pela mãe, rivalidade com o pai, medo da castração.
Complexo de Electra (meninas): atração pelo pai, rivalidade com a mãe e a controversa "inveja do pênis".
Obs: Esse termo foi criado por Jung. Mas foi rejeitado por Freud, porque o complexo de édipo já explicava sobre os dois contextos.
Resolução saudável: a criança se identifica com o genitor do mesmo sexo e forma a base da moralidade (o superego).
4. Período de latência (6 anos à puberdade)
O que acontece: "calmaria hormonal". A energia sexual fica adormecida ou sublimada (virada para escola, esportes, amizades).
Nenhuma zona erógena predominante, pelo menos segundo Freud.
5. Fase genital (puberdade em diante)
Zona de prazer: genitais (de novo, mas agora com maturidade)
O objetivo: amar e trabalhar. Direcionar a libido para relacionamentos íntimos e contribuição social.
E quando a libido bate de frente com a realidade?
Freud sabia que nem tudo são flores. Quando nossos impulsos libidinais entram em conflito com as regras da sociedade ou com a nossa própria moral, a mente cria "mecanismos de defesa", como a repressão, a negação ou a sublimação. Eles nos protegem da ansiedade, mas também moldam (e às vezes limitam) nossa personalidade.
E então, esses conceitos ainda são relevante?
Sim. Entretanto, como teoria fechada, a psicanálise freudiana clássica é hoje criticada e revisitada.
Mas como inspiração, para quem é psicanalista, ela está viva em cada análise, em cada conversa sobre infância, desejo, repressão e comportamento.
Freud nos ensinou a perguntar: "o que não está sendo dito?"
Porém, negar a importância de Freud seria ignorância histórica.
Ele foi o primeiro a levar a infância a sério, a dar lugar ao inconsciente e a dizer que o desejo, mesmo quando escondido, nos move. E isso, quer você concorde ou não, mudou todas as outras áreas da saúde, para sempre.
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