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A angústia na internação: reflexões sobre o self e o adoecer

  • Foto do escritor: Crisney Barbosa
    Crisney Barbosa
  • 3 de jul.
  • 2 min de leitura

Recentemente, vivi a experiência de permanecer cinco dias internado para investigar dores cuja causa não foi identificada de imediato. O hospital, nesse tempo, deixou de ser apenas um espaço de exames e tratamentos: tornou-se também um lugar de reflexão sobre a angústia que acompanha o paciente durante a internação.


Dentro de um quarto, o tempo parece ganhar outro ritmo. Cada dia traz expectativas diferentes: a visita da equipe de enfermagem, a chegada dos resultados, o olhar dos familiares e amigos. Entre esperança e medo, a mente oscila em perguntas difíceis: Será algo grave? Preciso ficar mais tempo? Como será minha vida depois disso?


O maior desafio, percebi, não é apenas físico, mas emocional: conviver com a angústia. Quando os resultados chegaram, a expectativa de alta foi interrompida pela notícia de que eu precisaria permanecer mais três dias para tratar uma infecção e uma úlcera. A ansiedade se renovou, e com ela surgiu uma questão essencial: como lidar com a incerteza? Sou um doente ou estou apenas vivendo um estado de doença?


Essa distinção é fundamental. A doença atravessa nossa existência, mas não nos define. O adoecimento é passageiro; o self, por sua vez, continua em construção. Ele se forma continuamente a partir das experiências que vivemos — inclusive aquelas que nos colocam diante da fragilidade e da dependência.


Durante a internação, encontrei apoio na leitura de Winnicott. Conceitos como self, capacidade de estar só e objetos transicionais tornaram-se companheiros importantes, ajudando a elaborar a angústia e a dar sentido ao tempo de espera.


Ao final, compreendi que a internação não foi apenas um tratamento médico. Foi também um encontro comigo mesmo. Não a vejo apenas como um período ruim, mas como um convite à reflexão sobre quem somos quando a rotina é interrompida e nossa vulnerabilidade se torna evidente.


Se a ansiedade e a angústia surgirem no adoecer, talvez o primeiro passo seja reconhecer que existe um eu que permanece além da doença. O self continua em construção, sustentando nossa capacidade de enfrentar dificuldades, preservar nossa humanidade e seguir vivendo.


Crisney Barbosa

Psicanalista Didata, Clínico e neuropsicanalista

(11) 55 11 95827-4781


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