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O Intruso no Espelho: Por que nos sentimos uma fraude no próprio sucesso?

  • Foto do escritor: Denise S. Galetto
    Denise S. Galetto
  • 17 de jul.
  • 3 min de leitura

Antes de qualquer teoria, eu sou alguém que já sentiu na pele o peso de se sentir uma fraude. Mesmo em formação para ser psicanalista, ou talvez justamente por isso, o sentimento de não me reconhecer nas minhas próprias conquistas me acompanha em alguns momentos. Se você já sentiu que, ao receber um elogio ou ocupar um novo lugar, o que surge não é orgulho, mas o medo de ser desconberto, sentimento de não merecer, saiba que esse abismo entre o nosso palco e os nossos bastidores é o que nos torna profundamente humanos.


Talvez você também tenha passado a vida tentando encarnar um “Ideal de Eu", aquele "personagem" eficiente que criamos nos primeiros anos de vida, aí que começa nossa desconexão.


Esse personagem precisava ser inteligente e forte para capturar o olhar e o amor dos nossos pais e do mundo.


O problema na vida adulta é que, quando o sucesso vem, sentimos que ele pertence a esse personagem, e não a nós. Ficamos com a sensação de que somos apenas atores em uma peça que deu certo demais, esperando o momento em que a cortina vai cair e

todos verão quem somos de verdade.


Os estudos de psicanálise tem me revelado que, por trás desse medo, existe algo ainda mais silencioso: a culpa de triunfar, que tem raízes diretas na nossa culpa edípica.

Para o nosso inconsciente, o sucesso nunca é neutro. Crescer, vencer e ocupar um lugar de destaque no mundo guarda uma semelhança simbólica com o ato de "superar" ou "destronar" as figuras de autoridade da nossa infância.Se você chegou mais longe que seus pais, ou se conquistou uma liberdade que foi negada às gerações anteriores, o seu sucesso pode ser vivido, lá no fundo, como uma traição. É como se, ao brilhar, estivéssemos "matando" simbolicamente a importância daqueles que vieram antes de nós. (Em uma das terapias que trabalho chamamos de “Lealdade Invisível”) A "Síndrome do Impostor" é, na verdade, a forma como nos punimos por essa transgressão: nós habitamos o lugar do triunfo, mas nos sentimos intrusos para minimizar a culpa de termos superado nossos pais e mestres.


E ainda tem uma carrasco ainda maior: o Supereu, aquele juiz interno que nunca descansa e que usa essa culpa para nos cobrar uma perfeição absoluta. Ele nos faz esquecer da nossa "castração", a ideia libertadora de que ninguém é completo e de que todos temos buracos. Ao contrário, para ter mérito precisa ser perfeito e completo, senão é uma fraude. Não aceita o “bom o suficiente”, ou é o mestre absoluto ou apenas um mentiroso. Cada sucesso, cada conquista, sobe a régua, a máscara fica mais pesada, o que torna a queda ainda maior se for descoberto.


O impostor que habita em mim, e talvez em você, é um perfeccionista que se recusa a aceitar que temos o direito de ocupar espaços mesmo sendo imperfeitos.


Hoje, entendo que o meu trabalho, e a nossa saída, não é deixar de ser "impostora" para alcançar uma perfeição impossível, mas aprender a sustentar o nosso desejo apesar das incertezas. O alívio não vem de mais um diploma, mais cursos ou de mais um aplauso, mas de aceitar que a "farsa" é, em certo nível, universal. No fundo, estamos todos improvisando enquanto caminhamos.



Eu aprendi que ser legítima não significa ser completa, mas sim aceitar as rachaduras da própria máscara. O sucesso só se torna real quando paramos de pedir perdão por termos crescido. Podemos ocupar o nosso lugar no mundo simplesmente porque o nosso desejo é o que nos torna reais.


Sustento então o meu desejo, e continuo o movimento.


Eu não sei se sou a melhor, eu não sei se entendi tudo de Lacan, eu não sei o que o futuro reserva; mas eu sustento a minha aposta nessa caminhada porque ela faz sentido para a minha verdade.



Eu escolhi a Academia Tríade da Psicanálise para minha formação porque acredito em uma psicanálise humana e profunda. Se você quer uma formação séria que segue rigidamente o tripé psicanalítico, vale a pena conhecer!


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5 comentários

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Albanise Lucena de Monlevade
há 7 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Me encontrei em suas palavras. Perfeito. Beijos

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Edson Jardim
17 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabens, bela reflexão

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Luciana
17 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Perfeito seu texto Denise!

Me identifiquei profundamente com ele

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Denise
17 de jul.
Respondendo a

Imagine. Falamos bastante sobre isso né? Vamos evoluindo a casa autoanálise...

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Átria Psicanálise
17 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente reflexão!!

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