Chupeta na vida adulta: conforto ou fuga? A Psicanálise explica
- Prof. Paulo Psicanalista Didata

- 24 de jun.
- 3 min de leitura
Você já parou para pensar por que alguns adultos recorrem à chupeta? Não, não é uma pegadinha. Essa cena, que antes víamos apenas em berçários, tem se tornado cada vez mais comum entre adultos que vivem na correria do dia a dia.
Mas, do ponto de vista psicológico (e principalmente psicanalítico), o que será que está por trás desse hábito? Antes de julgar, vamos entender o fenômeno.
O que a Psicanálise tem a dizer sobre isso?
Para a Psicanálise, muitos dos nossos comportamentos na vida adulta são regidos por aspectos que ficam no inconsciente. Quando falamos em chupeta, estamos entrando no território da regressão.
Regredir, na teoria freudiana, é um mecanismo de defesa onde a mente retorna a fases anteriores do desenvolvimento psicossexual para lidar com conflitos ou ansiedades que não conseguimos suportar no momento presente. Assim como roer unhas, fumar em excesso ou comer compulsivamente, chupar chupeta na vida adulta é um comportamento oral regressivo.
Por que a boca?
Segundo Freud, a fase oral (primeiro ano de vida) é o momento em que a boca é a principal zona de prazer, alívio e contato com o mundo. Quando estamos ansiosos, nossa mente busca "atalhos" para sensações de segurança e conforto que vivemos nessa época. A chupeta, nesse contexto, vira um objeto de transição que traz um conforto psicológico imediato, acalmando a mente como uma "naninha" ou um brinquedo de estimação fazia na infância.
Mas afinal, é normal ou é uma "fuga da realidade"?
A vida moderna é um prato cheio para o estresse: excesso de cobranças, trânsito caótico, alta performance e a pressão para ser perfeito em tudo. Nesse cenário, a chupeta entra como uma válvula de escape, uma espécie de “fuga da realidade”, um recurso rápido para anestesiar as sensações desagradáveis.
O adulto que usa chupeta busca, muitas vezes, reviver a inocência e a ausência de responsabilidades da infância. É um **mecanismo de infantilização** que serve para anular os efeitos negativos da ansiedade.
A chupeta é vilã ou pode ser aliada?
Se analisarmos pelo lado do alívio imediato, ela pode auxiliar na qualidade do sono, na abstinência de vícios (como cigarro e álcool) ou até ser uma companheira emocional em momentos de solidão.
Porém, o grande alerta psicanalítico é: esse alívio é um "placebo emocional". Não cura a raiz do problema, apenas ameniza os sintomas.
Quando o sinal de alerta deve ser acionado?
Se o uso da chupeta for:
- Intenso (o dia inteiro);
- Incontrolável (você não consegue parar);
- Compulsivo (precisa dela para tudo);
Está na hora de investigar mais a fundo. A Psicanálise sugere que, se você sente essa necessidade extrema, é fundamental buscar uma terapia para entender qual "vazio" está sendo preenchido pela chupeta.
Chupar chupeta na vida adulta pode ser visto como um afago simbólico em si mesmo. É um autoacolhimento em tempos de caos. Contudo, é preciso ter cuidado para que esse recurso não se torne uma armadilha para mascarar o medo do futuro, as incertezas da vida e a fragilidade emocional.
A chupeta pode ser um conforto temporário, mas a verdadeira paz está em entender o que nos leva a precisar tanto desse "retorno ao útero" simbólico. Se você se identificou com isso, que tal usar essa curiosidade como impulso para se autoconhecer? A terapia é o caminho mais seguro para encontrar o equilíbrio sem precisar "voltar no tempo".
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