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Quando o trauma encontra a rigidez dos dogmas: o preço do silêncio

  • Foto do escritor: Nelita Facion
    Nelita Facion
  • 4 de mai.
  • 3 min de leitura


Você já sentiu aquela angústia que não sabe explicar? Um aperto no estômago, uma queda de cabelo sem motivo aparente, um vazio que insiste em aparecer nos momentos mais inesperados? Pois é: muitas vezes, o corpo e os sintomas falam o que a boca aprendeu a calar.


O silêncio como saída aparente


O trauma, por si só, é paralisante e angustiante. Ele nasce de vivências que se inscrevem no sujeito como marcas profundas, tornando-se gatilhos que, inevitavelmente, se manifestam em sintomas.

Há algo que atravessa o sujeito, uma experiência que o paralisa, o mergulha em sensações difíceis de nomear. Diante disso, muitas vezes surge uma saída aparentemente mais simples: o silêncio. Abafa-se o ocorrido, recalcam-se os fatos, as dores e os afetos, como se nada tivesse acontecido.


O retorno do que foi silenciado


Mas o que é silenciado não desaparece. A dor retorna, por vezes de forma inesperada, em diferentes situações: uma angústia súbita, um aperto no estômago, alterações no apetite, queda de cabelo, ou até mesmo um vazio difícil de explicar. O trauma recalcado encontra caminhos para se expressar.


A fala como caminho de elaboração


Na psicanálise, é pela fala que esse conteúdo pode ser acessado. O analista escuta, investiga e interpreta, funcionando como uma espécie de “lanterna” que ilumina aquilo que estava oculto.

Ao colocar em palavras o que antes era indizível, o sujeito começa a construir uma nova narrativa para sua própria história. E, ao narrar, algo se transforma. A marca simbólica perde parte de seu peso opressor quando ganha sentido, quando é significada.


Quando os dogmas rígidos atravessam o trauma


No entanto, esse processo pode se tornar mais difícil quando o sujeito está atravessado por dogmas rígidos. Se, em vez da possibilidade de elaboração, há imposições que silenciam, sejam elas religiosas, culturais ou ideológicas, o sofrimento tende a se intensificar.

Quando o trauma entra em conflito com uma “verdade absoluta”, falar sobre ele pode significar romper com crenças ou ameaçar o pertencimento a um grupo. Diante disso, o sujeito cala. Reprime. Sustenta o silêncio para manter-se coerente com aquilo que acredita, ou com aquilo que lhe foi imposto acreditar.


O custo do silêncio e a abertura necessária


Mas esse silêncio tem um custo. O trabalho psicanalítico só se torna possível quando há um mínimo de abertura: quando o sujeito se permite falar, se escutar e se implicar na própria história. É nesse espaço que algo pode ser elaborado.

A psique humana não se submete a dogmas. Ela é dinâmica, singular e insiste em se expressar.

Por isso, compreender o próprio sofrimento exige um movimento de mergulho, trazer à tona o que foi recalcado, associar marcas, sintomas e experiências.

É nesse processo que o sujeito pode ressignificar sua dor, encontrar novas formas de existir e, quem sabe, abrir espaço para novos começos.


E você? Tem conseguido falar da sua dor ou ainda está preso no silêncio exigido por alguma crença?


Nelita Facion é Psicanalista Didata

Profissional Associada à Academia Tríade da Psicanálise

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2 comentários

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Academia Tríade da Psicanálise
há 6 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Parabéns!!

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Convidado:
05 de mai.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente

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