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O Horror ao Incesto: o que os povos antigos podem nos ensinar sobre a mente humana?

  • Foto do escritor: Paulo C. Galetto
    Paulo C. Galetto
  • 6 de abr.
  • 2 min de leitura

Você já parou para pensar por que existe um tabu tão forte contra o incesto em praticamente todas as culturas?


Essa proibição parece “natural” para nós hoje, mas, ao olharmos para os povos mais antigos e para certas tribos ainda existentes, a coisa ganha contornos muito mais intensos e até assustadores.


Segundo Freud, ao estudar os aborígenes australianos – considerados um dos grupos mais primitivos do mundo –, os antropólogos encontraram algo surpreendente: mesmo vivendo de forma simples, sem grandes instituições religiosas ou políticas, essas tribos possuíam um sistema rigorosíssimo para evitar o incesto: o totemismo.


O que é o totem?

O totem é geralmente um animal (ou, raramente, uma planta ou fenômeno da natureza) que funciona como ancestral comum e espírito guardião de um clã. Quem pertence a um totem não pode matá-lo, comê-lo e, o mais importante, não pode se casar nem ter relações sexuais com ninguém do mesmo totem.


Essa proibição vai muito além do que entendemos por parentesco de sangue. Na prática, todos os membros do mesmo totem são tratados como irmãos e irmãs, mesmo que não tenham nenhum laço genético. Quem viola essa regra é condenado à morte pelo próprio clã.


Por que tanto rigor?

Freud observa que esses povos não eram “moralistas” no nosso sentido, tinham uma vida sexual aparentemente livre. No entanto, justamente por isso, sentiam uma necessidade imensa de criar barreiras contra o desejo incestuoso, que consideravam uma tentação real e perigosa.


Além do totem, existiam as chamadas “evitações”: regras que impediam, por exemplo, que um irmão e uma irmã se olhassem diretamente, que um filho comesse na presença da mãe, ou que um genro sequer visse a sogra.


Para Freud, isso mostra algo fascinante: o horror ao incesto não é apenas um costume social, mas uma defesa contra desejos inconscientes que todos carregamos desde a infância.


Ele conecta esse fenômeno à psicanálise: assim como os neuróticos ficam presos a desejos incestuosos infantis (o famoso complexo de Édipo), os povos primitivos vivem essa mesma tensão de forma externa, através de leis e tabus rigorosos.


O que isso tem a ver com a gente hoje?

Muita coisa. Os mesmos conflitos que moviam esses povos ainda vivem dentro de nós, só que reprimidos, disfarçados em sintomas, escolhas amorosas repetitivas, ciúmes, medos e até nas piadas sobre sogras.


Entender o totem e o tabu é, na verdade, entender as raízes inconscientes da cultura, da religião, da moral e dos nossos conflitos mais íntimos.


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  • O horror ao incesto nas culturas primitivas

  • A relação entre tabu, neurose e vida moderna

  • Como esses mecanismos ainda afetam seus relacionamentos e escolhas inconscientes


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