Da Economia à Psicanálise
- Sandra Paula

- há 3 dias
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Meu interesse pela Psicanálise começou ainda na adolescência, quando tive meu primeiro contato com Freud durante o curso de Magistério. Na época, aos 14 anos, aqueles conceitos pareciam fascinantes, mas complexos demais para serem compreendidos em profundidade.
A vida seguiu outros caminhos. Formei-me, fiz mestrado em História Economica e entrei no doutorado, passei muitos anos dedicado aos estudos sobre finanças, comportamento econômico e gestão. No entanto, a Psicanálise continuava aparecendo em momentos importantes da minha trajetória.
Primeiro, por meio de colegas do mestrado que consideravam a análise uma necessidade tão essencial quanto qualquer outra dimensão da vida. Depois, por meio de professores e profissionais que repetiam uma frase que acabaria marcando minha jornada:
“Você deveria estudar Psicanálise.”
Foi então que decidi mergulhar nesse universo. Ao estudar Freud e Jung por incentivo de um ex-chefe, percebi que as grandes questões humanas não pertencem exclusivamente à um único conhecimento. Elas atravessam a Psicologia, Economia, a História, Sociologia e todas as áreas que buscam compreender o comportamento humano.
Uma pergunta passou a despertar especialmente minha atenção e fará parte da minha dissertação de doutoramento:
Por que tantas pessoas vivem endividadas, mesmo sabendo dos riscos financeiros?
A Economia tradicional costuma explicar o endividamento por fatores como renda insuficiente, desemprego, inflação ou falta de educação financeira, tópicos que abordei incansavelmente em minhas pesquisas acadêmicas. Mas será que essas explicações são suficientes?
A Psicanálise sugere que nossas decisões nem sempre são guiadas pela razão. Desejos inconscientes, necessidades de reconhecimento, impulsos de consumo, sentimentos de pertencimento e até tentativas de preencher vazios emocionais podem influenciar profundamente nossas escolhas econômicas.
Talvez uma compra não represente apenas a aquisição de um produto. Em alguns casos, ela pode simbolizar status, afeto, segurança ou até uma busca por felicidade. O problema surge quando esses desejos entram em conflito com a realidade financeira.
Foi durante as discussões sobre minha pesquisa acadêmica que percebi o quanto Economia e Psicanálise podem dialogar. Entender números é importante, mas compreender as motivações humanas por trás deles talvez seja ainda mais relevante.
Hoje, acredito que o endividamento não pode ser explicado apenas por planilhas, taxas de juros ou renda familiar. Existe também uma dimensão subjetiva, emocional e inconsciente que influencia a forma como lidamos com dinheiro.
Talvez a pergunta mais interessante não seja apenas "por que as pessoas se endividam?", mas sim:
O que estamos realmente tentando comprar quando gastamos além do que podemos pagar?
Ao aprofundar meus estudos, encontrei em Jung conceitos que ampliaram minha compreensão sobre a mente humana. Três pilares chamaram especialmente minha atenção: a consciência e o ego, que constituem nossa identidade e percepção cotidiana; o inconsciente pessoal, formado por experiências esquecidas, reprimidas ou ignoradas ao longo da vida; e o inconsciente coletivo, dimensão compartilhada por toda a humanidade, composta por símbolos, experiências e instintos herdados de nossos ancestrais.
Em seguida, mergulhei nos ensinamentos de Freud e em sua concepção do aparelho psíquico. O Id representa nossos impulsos mais primitivos e a busca imediata pela satisfação dos desejos. O Ego atua como mediador entre esses impulsos e as exigências da realidade. Já o Superego incorpora valores, normas e expectativas sociais, funcionando como uma espécie de consciência moral.
Essas teorias me levaram a uma reflexão que dialoga diretamente com meus estudos em Economia: até que ponto nossas decisões financeiras são realmente racionais?
Quando observamos fenômenos como o consumo excessivo, o endividamento recorrente ou a busca incessante por determinados bens, talvez estejamos diante de algo que vai além dos números. Talvez estejamos observando desejos, conflitos internos, necessidades de reconhecimento e mecanismos inconscientes que influenciam nossas escolhas sem que percebamos.
Foi nesse ponto que a Psicanálise deixou de ser apenas um campo de interesse intelectual e passou a representar uma ferramenta poderosa para compreender comportamentos econômicos e sociais que, muitas vezes, não podem ser explicados apenas por indicadores financeiros.
É nesse encontro entre Economia e Psicanálise que pretendo continuar minha jornada de pesquisa e reflexão.
Dias, Sandra Paula Doutoranda em História Econômica e Psicanalista em formação
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Excelente
Analisar a economia e mais especificamente o consumo pela ótica da psicanálise é muito bom. Perceber que o consumo está vinculado ao emocional Talvez traga novas ferramentas ao estudo do comportamento humano
Excelente!
Parabéns pelo texto e estudo!
excelente!
Parabéns! 👏🏼👏🏼🌹😘