top of page

Aquela briga interna na cabeça? Freud explica

  • Foto do escritor: Prof. Paulo Psicanalista Didata
    Prof. Paulo Psicanalista Didata
  • 10 de abr.
  • 3 min de leitura

Você já parou para pensar por que, às vezes, parece que existem pelo menos três vozes diferentes disputando o controle da sua mente?


Uma que grita “faz logo”, outra que repreende “isso é errado” e uma terceira que tenta apaziguar: “calma, dá pra resolver”.


Pois é exatamente sobre isso que a psicanálise de S. Freud nos convida a refletir. Segundo ele, nossa mente é dividida em três instâncias que vivem em constante negociação. E não, você não está louco por sentir essa “guerra interna”, você está, na verdade, sendo profundamente humano.


Os três personagens da sua mente

Em 1920 Freud mudou os termos e ficou conhecido como 2ª tópica


1. O ID – o “Isso”


  • O Id é a parte mais primitiva da nossa psique. Estamos falando de impulsos inatos do ser humano: fome, desejo, raiva, prazer imediato. Id funciona pelo princípio do prazer: quer tudo, agora, sem limites, sem pensar em consequências.

  • É aquela voz que diz: “Eu quero e quero AGORA!” Id é o nosso Inconsciente, não tem noção de tempo, ética ou realidade. Só sente.


2. O SUPEREGO – o “Supereu” (o juiz severo)


  • O Superego é a nossa consciência moral. Ele se forma a partir dos valores que absorvemos dos pais, da escola, da religião, da cultura e da sociedade.

  • Seu lema é o princípio do dever: julga, cobra, culpa e, quando obedecido, gera orgulho.

  • É aquela voz que diz: “Isso não se faz”, “Você devia ter vergonha”, “Gente decente age diferente”.

  • O problema? Quando ele é rígido demais, vira um ditador interno que nos paralisia com culpa excessiva.


3. O EGO – o “Eu” (o adulto no meio do fogo cruzado)


  • O Ego surge com o contato com a realidade. Ele funciona pelo princípio da realidade: entende que nem tudo que se deseja pode ser feito na hora – e nem tudo que se deve fazer é possível sem equilíbrio.Sua função é mediar entre os desejos do Id e as exigências do Superego, buscando soluções viáveis e socialmente aceitáveis.

  • O Ego é como um adulto responsável tentando negociar entre uma criança mimada e um juiz implacável.


Exemplo prático:


Você está de dieta. Passa pela mesa e vê um brigadeiro.


  • Id (seus impulsos): “Come logo! Um não vai fazer diferença. Olha que delícia! vai…”

  • Superego (juiz severo): “Não! Você prometeu que ia emagrecer. Isso é falta de disciplina. Vai jogar fora todo o esforço da semana?”

  • Ego (mediador): “Ok. E se eu comer meio brigadeiro agora, saborear com calma e compensar amanhã com 20 minutos extras de caminhada? Assim ninguém sai frustrado.”


Percebeu?

  • Quando o Ego consegue equilibrar bem essas duas forças, vivemos de forma mais saudável.

  • Quando o Id domina, viramos reféns da impulsividade.

  • Quando o Superego é rígido demais, vivemos paralisados pela culpa e pela autocrítica cruel.


E nesse exemplo, como você reagiria?


E no cotidiano? Já percebeu esses três personagens brigando?


Pode ser numa decisão simples do dia a dia ou num dilema existencial:


A grande sacada do autoconhecimento, inspirada em Freud, é justamente essa:

  • Quanto mais você reconhece essas três vozes, mais força o Ego tem para mediar conflitos e escolher o caminho do equilíbrio.


Para saber mais:

As duas tópicas de Freud - Detalhes

1ª tópica (1900-1920) – Inconsciente, Pré-consciente e Consciente

  • Início de seus estudos, baseada na topografia da mente (camadas de profundidade)

  • Foco: onde estão os conteúdos psíquicos?


2ª tópica (1920 em diante) – Id, Ego e Superego

  • Apresentada em "Além do Princípio do Prazer" (1920)

  • Baseada na estrutura da personalidade (instâncias em conflito)

  • Foco: como as funções psíquicas se organizam e se relacionam


Por que Freud mudou?

  • Ele percebeu que o modelo topográfico (consciente/inconsciente) não explicava suficientemente fenômenos como:

  • A culpa inconsciente (o Superego age muitas vezes sem que o sujeito perceba)

  • A resistência no tratamento (o Ego defendendo-se do Id)

  • O narcisismo e as pulsões de vida e morte


Para refletir:

“A mente é como um iceberg: a maior parte do que nos move está abaixo da superfície.” – Freud (adaptação)


E se você sente vontade de ir além do autoconhecimento e ajudar outras pessoas a também compreenderem essa dinâmica interna, que tal dar o próximo passo?


Conheça o nosso Curso de Formação em Psicanálise.

Nele, você aprende a fundamentar teoricamente esses conceitos, desenvolver escuta clínica e transformar essa curiosidade em uma prática profissional séria e transformadora.


👉 Clique aqui e saiba mais: Formação em Psicanálise


Gostou do conteúdo? Compartilhe com alguém que também vive essa guerra interna saudável. 😄

E se ficou com vontade de se aprofundar, a formação em psicanálise pode ser o seu caminho.


Prof. Paulo C.

Diretor da Academia Tríade da Psicanálise

 
 
 

1 comentário

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
Monica Rodriguez
10 de abr.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente texto que explica de forma muito clara as diferenças entre as 3 instacias de nossa mente.

Curtir
bottom of page